Baseado em fatos reais
Cristopher Vogler, ex-funcionário de Hollywood e, atualmente, presidente da empresa Storytech, é o autor de “A jornada do escritor: estruturas míticas para escritores”. Publicado no fim dos anos 90, o livro é direcionado para os roteiristas dos estúdios Walt Disney.
Obra importante para os atuais escritores e diretores de cinema, foi escrita de forma concisa e simples. No começo, é mostrada a importância das idéias de Joseph Campbell para as atuais narrativas. Vogler, como grande admirador de Campbell, mostra que todo seu trabalho foi baseado no livro “O herói de mil faces”, do amigo e professor. Dividida em duas partes: o livro um e dois, a obra trata, primeiramente, dos personagens e os arquétipos que estes podem desempenhar numa trama: herói, mentor, guardião limiar, arauto, camaleão, sombra e pícaro. Com uma mensagem de fácil compreensão, ele coloca também várias situações de diversos filmes. Na maioria das vezes, filmes da década de 90. Mas seus principais exemplos são O Mágico de Oz e Guerra nas Estrelas.
Por fazer parte de todas as histórias do cinema atual e, também, estar presente na vida real, a jornada do herói é de grande interesse de todos. Nos leva sempre a alguma lembrança e gera reflexões. Ao ler o guia, você se sente personagem de filmes. Está sempre se colocando no lugar de alguns deles. A lembrança das cenas e dos heróis fica muito viva na nossa cabeça, e é como se estivéssemos assistindo todos novamente, mas, agora, com outros olhos.
Na segunda parte da obra, Vogler caracteriza os estágios da jornada, dividindo-os em doze. Em cada um, ele conta um pedaço da história de O Mágico de Oz e faz analogias com a realidade e outros filmes. No fim dos estágios, uma coisa interessante, o autor deixa perguntas para que o leitor pense na situação pelos olhos de um roteirista e de um personagem.
As duas partes do texto se completam. O livro um é pré-requisito para a leitura do segundo. Sem a definição dos tipos de personalidades, não há como entender o papel dessas em cada fase da jornada. O autor sabe prender a atenção do leitor. Detalha muito bem as cenas dos longas metragens. A família e as suas relações estão totalmente ligadas com a jornada do herói. E isso também define essa atração das pessoas pela obra. Dificilmente alguém não se enquadra em nenhum dos arquétipos. É algo universal. Na vida real cada pessoa está sempre iniciando uma jornada, só que de formas totalmente particulares.
Já no fim do livro, Vogler resolve colocar em prática suas formas, e não fórmulas como ele diz. Escolhe cinco filmes diversificados, mas de grande sucesso, como “Titanic”, e os resume falando sobre seus arquétipos em diversas partes das tramas. E, no resumo de “O Rei Leão”, filme no qual o autor trabalhou como revisor, ele conta toda a história da produção do filme e diz que não o teria feita da forma como foi. Porém, o resultado o surpreendeu. Daí, tira algumas lições. Finaliza o livro então comentando o título, “A Jornada do Escritor”, de forma grandiosa, incentivando aqueles que um dia sonham, também, em serem escritores.
VOGLER, Cristopher. A jornada do escritor: estruturas míticas para escritores. Editora Nova Fronteira, segunda edição, revista e ampliada.
