Até onde uma mentira pode virar verdade?
Uma das principais obrigações do jornalista é apresentar os fatos como eles realmente acontecem. A partir desta premissa, pode-se estabelecer uma condição de ética para a profissão.
Atos como inventar notícias e omitir verdades não são e nem podem ser considerado jornalismo. No código de ética são expressas, claramente, as obrigações do profissional com a verossimilhança da realidade. O mundo jornalístico está sempre sujeito a mentiras. Porém, estas podem gerar vários problemas não só ao jornalista como ao jornal responsável pela publicação da matéria.
O filme “Shattered Glass”, que conta a história de um repórter jovem e promissor, mostra como a mentira é difícil de ser mantida. A trama coloca o ato de mentir como um vício. Stephen Glass, o personagem principal, consegue publicar uma grande matéria inventada. Ao ser procurado para provar a veracidade dos fatos, mente incessantemente. Ele consegue convencer seus amigos alegando inocência, mas, no fim, todos percebem seu erro e ficam do lado do chefe que dá por fim a carreira de Glass. A revista responsável por publicar, não só esse como outros artigos criados por ele, teve que desculpar-se com os leitores e responder a vários processos judiciais.
Temos ainda o caso de Welles, um diretor teatral que faz a encenação da obra “A Guerra dos Mundos” durante um programa de rádio. O livro, que tem tema a invasão alienígena, trouxe na época grande desespero aos ouvintes. Tudo foi contado como ficção, mas os que estavam distraídos e os leigos no assunto acabaram acreditando na transmissão. Todo o desespero causado na população trouxe danos às cidades que recebiam o sinal de rádio. As conseqüências para Welles foram grandes. Ele foi processado por ter sido leviano. Mas apesar dos prejuízos, acabou também ficando famoso.
