Será mesmo música?
E lá estava eu e meus amigos, no maravilhoso Festival de Música Brasileira do ano de 1968. Cantávamos ao som de Chico Buarque, por quem as meninas eram apaixonadas, e Geraldo Vandré, o homem que tocava alma de todos com sua música.
No ano em que houve várias reivindicações das pessoas, não quiseram prestar atenção no meu discurso e protesto. Eu queria apenas um pouco de diversão. Não fazia por mal, é que meus ideais iam contra a corrente. Sentia-me como a Roda Viva de Chico.
Talvez, por ser filho de militares, pai e mãe, estes não me entendessem. Eu os amava, mas não tanto quanto amaria meus filhos. E, para o futuro, queria um país melhor, sem mortes e cortes. A censura não foi capaz de calar os principais cantores com seus desabafos em nobres formas de som, será que conseguiria me calar? Acho que não.
